Taxa de esforço: como o banco a calcula e qual é o limite
A taxa de esforço é a parte do rendimento líquido mensal que vai para as prestações de todos os créditos, o da casa e os que já tem. O Banco de Portugal recomenda que não passe de 45%, mas o banco não a mede com a prestação da proposta: mede-a com a taxa de juro subida — 1,5 p.p. num prazo de mais de dez anos. Por isso um crédito que cabe no ordenado à taxa de hoje pode ser recusado: 200 000 € a 40 anos, à taxa média de 3,00%, levam 37,7% de um ordenado de 1900 €, mas no teste do banco passam a 47,3%, acima do limite.
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Como se calcula
Taxa de esforço = soma das prestações de todos os créditos ÷ rendimento líquido mensal.
- As prestações são as de todos os titulares: a do crédito novo, a do carro, a do crédito pessoal, a dos cartões com plano de pagamento.
- O rendimento é o líquido de impostos e contribuições, por ano, a dividir por 12 — por isso os subsídios de férias e de Natal contam. O banco lê-o na última declaração de IRS ou nos últimos recibos de vencimento.
- Num crédito a dois, somam-se os rendimentos e as prestações dos dois.
As despesas do dia a dia — renda, contas, escola — não entram na conta. Entram na sua.
O limite e o teste do banco
A Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 do Banco de Portugal aplica-se aos pedidos avaliados desde 1 de agosto de 2026. Pede que a taxa de esforço não passe de 45% (até então eram 50%), calculada com a prestação do crédito novo a uma taxa mais alta do que a da proposta:
- Mais 0,5 p.p. num prazo até 5 anos.
- Mais 1 p.p. até 10 anos.
- Mais 1,5 p.p. acima de 10 anos — quase todos os créditos à habitação.
- Mais 0,75 p.p., qualquer que seja o prazo, se algum titular passar dos 70 anos no fim do crédito — e nesse caso o banco conta-lhe também um rendimento mais baixo.
É uma recomendação, mas os bancos cumprem-na quase sempre: só podem passar o limite em 10% do que emprestam em cada semestre. Abaixo de 35%, à taxa da proposta, é o que se costuma ter por confortável — sobra margem para a Euribor subir.
Exemplo: 1900 € por mês e 200 000 € a 40 anos
Uma pessoa de 28 anos, sem outros créditos, com 1900 € líquidos por mês (o anual a dividir por 12). Pede 200 000 € a 40 anos, à taxa média dos créditos novos, 3,00% em agosto de 2026:
- À taxa da proposta, a prestação é de 715,97 €: 37,7% do rendimento. Cabe no limite.
- No teste, a 4,50%, a prestação passa a 899,13 €: 47,3%. Acima dos 45%.
- O máximo que o banco lhe empresta é cerca de 190 000 €: o crédito cuja prestação, a 4,50%, é 45% do rendimento.
- Com um crédito do carro de 200 € por mês, o máximo desce para 145 000 €. Cada 100 € de prestação que já paga tira cerca de 22 000 € ao que pode pedir.
- Com um segundo titular que ganhe 1300 €, os mesmos 200 000 € ficam em 28,1% no teste.
Como baixar a taxa de esforço
- Liquide os créditos pequenos antes de pedir o da casa. Um crédito do carro quase no fim pesa na conta a prestação inteira.
- Peça menos: uma entrada maior baixa a prestação, e o LTV também conta para o spread.
- Junte um segundo titular com rendimento. Fica tão responsável pelo crédito como o primeiro.
- Alongue o prazo até onde a idade deixa. Baixa a prestação, mas paga mais juros no total — e o teste usa o prazo que pedir.
Um spread mais baixo ajuda menos do que parece: no exemplo, uma décima de ponto a menos sobe o máximo em cerca de 2500 €, enquanto acabar com um crédito do carro de 200 € o sobe em 45 000 €. O que mais pesa é o rendimento, o prazo e as outras prestações.
Ver a taxa de esforço de cada proposta
No qualcredito.com, escreva os ordenados líquidos no cenário e a comparação mostra a taxa de esforço de cada proposta, à taxa dela e com seguros e encargos, e avisa quando o teste do Banco de Portugal a põe acima do limite.